Saúde da mulher

Este texto foi atualizado pela última vez em 30 de janeiro de 2006.

Incontinência Urinária        
 
O que é?
 
A Incontinência Urinária é definida como toda perda involuntária de urina. É um sintoma que pode ter diferentes causas. Por exemplo, se a perda ocorre aos esforços, pode ser devido a prolapso de bexiga ("bexiga caída"); se ocorre perda constante de urina pode haver fístula, isto é, uma comunicação entre a bexiga e a vagina; se ocorre perda sem esforço, a causa pode ser uma alteração da inervação da bexiga (bexiga hiperativa).
 
As mulheres estão muito mais sujeitas à perda de urina, mas este sintoma pode aparecer em qualquer fase da vida do ser humano, independente da idade e sexo.
 
Sintomas
 
Pode haver a combinação de alguns ou de todos estes sintomas. É a chamada incontinência mista.
 
Diagnóstico
 
No exame ginecológico verificamos se há alguma alteração na bexiga, vagina e útero,pois permite diagnosticar o tipo de incontinência urinária e qual o tratamento necessário. Podem também ser utilizado para complementar o diagnóstico o "pad test" e o diário miccional. O teste urodinâmico é um dos mais precisos para o diagnóstico da incontinência. Uma sonda com eletrodos é introduzida na uretra da mulher e, ligada a um computador, possibilita que este, por registros gráficos, revele se existe problema anatômico, como flacidez dos músculos do assoalho pélvico, ou se há alterações na transmissão nervosa para a contração dos músculos da bexiga, do períneo e da uretra. É um exame indolor, portanto não requer anestesia
 
Tratamento
 
O tratamento cirúrgico é indicado nos quadros de incontinência urinária de esforço mais severa, quando está associado à prolapso genital ou quando não há melhora após tratamento fisioterápico e/ou medicamentoso. Há diversas técnicas que podem ser indicadas pelo seu médico: Burch, Sling, TVT, injeções peri-uretrais, etc ...
 
As formas de tratamento variam de acordo com a causa da incontinência. O médico poderá optar por fisioterapia, por medicamentos ou pela cirurgia corretiva.
 
O tratamento fisioterápico inclui exercícios para fortalecer os músculos da pelve, chamados exercícios de Kegel. Até mesmo mulheres idosas, com incontinência urinária há vários anos, podem beneficiar-se desses exercícios, se os praticarem durante alguns meses seguidos. Além disso, podem também ser realizadas eletroestimulação dos músculos do assoalho pélvico, técnicas de "biofeedback" e utilização de cones vaginais ("pesos").
 
O tratamento medicamentoso depende do tipo de incontinência, podendo ser usados anti-colinérgicos e estrogênios.
 
Os sintomas apresentados pela paciente são importantes e podem caracterizar qual o tipo de incontinência:
 
Perda de urina ao tossir, espirrar, dar risada, fazer qualquer atividade física, levantar da cama. Esta é a chamada incontinência urinária de esforço.
 
Perda urinária súbita, após um desejo premente e incontrolável de urinar, antes de chegar ao banheiro. Isto é chamado de urge-incontinência, que é um dos sintomas da bexiga hiperativa.
 
Infecção Urinária
 
O que é?
 
As vias urinárias são constituídas pelos rins, ureteres, bexiga e uretra.
 
A Infecção do Trato Urinário (ITU) ou Infecção Urinária (IU), como é mais popularmente conhecida, ocorre quando há presença de microorganismos que se multiplicam nas vias urinárias.
 
Pode ser dividida em dois grupos, de acordo com a localização e sintomas:
 
- infecções das vias urinárias inferiores: bexiga (cistite) e uretra (uretrite)
- infecções das vias urinárias superiores:rins (pielonefrite)
 
A infecção urinária pode atingir pessoas de qualquer sexo e qualquer idade, mas é muito mais freqüente em mulheres, sendo que 20% a 30% da população feminina terão, pelo menos, um episó dio durante a vida.
 
Geralmente a infecção é causada por bactéria, sendo que o agente mais comum é a Escherichia coli.
 
Alguns fatores predispõem ao aparecimento da infecção. Sabe-se que as mulheres tem infecção urinária muito mais frequentemente do que os homens.
 
Isto se deve ao fato de que a uretra feminina é mais curta e também mais próxima ao ânus, podendo haver contaminação.
 
A relação sexual é um importante fator predisponente, pois podem ocorrer microtraumatismos que facilitam a entrada das bactérias no trato urinário. A mai oria dos episódios de infecção urinária desenvolve- se nas 12 horas seguintes após a relação sexual. A diminuição de hormônios femininos, que ocorre na mulher após a menopausa, também é fator predisponente. Há outros fatores que podem contribuir, porém são mais raros, como cálculos renais, anormalidades do aparelho urinário ou problemas neurológicos impedindo que a urina seja eliminada normalmente.
 
Sintomas
 
O ato de urinar, normalmente, é voluntário e indolor. A presença de alguns sintomas são sugestivos de infecção:
 
• dor ou ardência para urinar
 
• sensação de urgência para urinar
 
• micções urinárias muito freqüentes e de pequena quantidade de urina
 
• gotejamentos de sangue pode ocorrer
 
• dor na região baixa do abdome
 
Quando o rim é atingido, além dos sintomas anteriores, o paciente pode ter febre, calafrios ou dor lombar. Algumas vezes, também ocorre cólicas abdominais, náuseas e vômitos.
 
-:- Caso apresente algum desses sintomas procure o seu médico -:-
 
Diagnóstico
 
Para o diagnóstico da infecção urinária, o médico deve associar dados da história clínica, exame físico e exames laboratoriais.
 
Realiza-se exame de urina (Urina I), para ver se há inflamação ou não. Juntamente, é feita a cultura da urina (Urocultura), para detectar qual bactéria está causando o problema.
 
No caso de Infecção Urinária, a exame de Urina I pode ter grande quantidade de leucócitos (glóbulos brancos, nossas células de defesa), eritrócitos (glóbulos vermelhos, células que compõem o sangue) e proteínas no sedimento urinário. Pode haver também bactérias.
 
O exame de cultura na Infecção Urinária mostra crescimento de bactérias superior a 100.000 colônias por mililitro de ur ina. Atualmente, admitem- se valores superiores a 100 unidades formadoras de colônias/ml de urina como resultado positivos em pacientes com sintomas t ípicos. O Antibiograma testa a sensibilidade da bactéria isolada aos antibióticos.
 
Para isso, é muito importante que a coleta de uma amostra de urina seja feita sem contaminação.
 
A maioria das coletas é feita do jato médio tendo pelo menos 2 hs da última micção, após uma higienização da região peri-uretral. O jato médio é o jato urinário colhido após ter sido desprezada a primeira porção da urina, que poderia estar contaminada por microorganismos da uretra.
 
Dependendo de cada caso, podem ser necessários outros exames para complementar o diagnóstico (pesquisar malformações associadas, cálculo renal, ...).
 
Tratamento
 
O tratamento é a antibioticoterapia (penicilinas sintéticas, sulfas, nitrofurantoínas, cefalosporinas e as quinolonas). Em geral, o antibiótico é dado por via oral, por um período que pode variar de um a sete dias. Orienta-se também a hidratação adequada, com ingesta de um e meio a dois litros de água por dia.
 
Dependendo do caso, é importante repetir a cultura da urina após o tratamento, para ter certeza de que a infecção foi eliminada, principalmente nos casos em que o rim foi acometido ou no caso dos sintomas persistirem.
 
Nas pessoas com problemas de infecção recorrente, podem ser utilizados antibióticos profilaticamente (dose única diária, fluradantina ou quinolonas), no período noturno, por três a seis meses ou então um comprimido após a relação sexual. Estes são administrados em doses menores mas por um tempo prolongado.
 
Os casos de malformações do aparelho urinário podem ser corrigidos pela cirurgia.